Atabaquistas


1- Na Umbanda, é comum a utilização do termo Ogã para designar aqueles que tocam os atabaques; a nosso ver, porém, esse uso é equivocado, pois, na verdade, esse termo se refere a um título recebido no Candomblé depois que o filho de santo realiza alguns preceitos, como camarinha , feitura etc. Na Umbanda, não existem esses preceitos; logo, não podemos utilizar o título para alguém que simplesmente exerce uma função semelhante. Por exemplo: na profissão de jornalista, existiam os formados na faculdade e os que são chamados de práticos, ou seja, aqueles que não cursaram a faculdade de jornalismo. Hoje, os práticos estão quase extintos, pois o órgão de classe não acata o registro. Para complicar a situação No início, chamávamos os tocadores de Atabaqueiros, mas o sufixo “eiro” é mais adequado ao construtor de atabaques, intimamente ligado à profissão; por isso, empregamos atabaquista, porque o sufixo “ista” indica quem faz uso do instrumento musical – no caso, o atabaque. Ex.: musicista, trompetista, violonista etc. Assim sendo, o termo correto para tocador de atabaques é atabaquista.

2- Nas Casas de Pai Cipriano, os atabaquistas exercem nas sessões uma função auxiliar de relevante importância. Cabe a eles manter o ritmo, a cadência correta de cada linha de umbanda, para que haja sintonia perfeita dos guias com os médiuns de incorporação. Por isso, precisam observar a aceleração do toque, que jamais pode abafar a voz guia, ou, quando exageradamente corrido, precisa ser sentido e desacelerar imediatamente, para não comprometer energeticamente os demais médiuns, que podem sofrer um baque, provocando inclusive a desincorporação brusca e causando prejuízos ao campo magnético de cada um.

3- Os pontos de Umbanda têm suas cadências próprias, não são todos a mesma coisa. Existem pontos que perdem totalmente o sentido quando cantados e acompanhados com aceleração exagerada. O canto e o ritmo (tambores) precisam estar em harmonia perfeita com as diferentes linhas de Umbanda. Sinto falta da batida de Umbanda tradicional. E vejo que precisamos resgatar determinados pontos desacelerados com batidas comuns de Umbanda.

4- Já foi dito diversas vezes, e volto a repetir: curimba em dia de sessão não é o local adequado para ensinar, parar a batida, mandar bater de outro jeito. Nos dias de sessão, o cântico e os tambores precisam estar afinados entre si e não podem “deixar a peteca cair”. O que se pode fazer é colocar o aspirante observando apenas as batidas, mas jamais deixá-lo praticar o aprendizado durante a sessão, dar ordem para que ele bata ou coisa do tipo.

5- Aqueles que queiram ensinar precisam observar algumas coisas importantes. O treino de atabaquistas só pode ser realizado em dias e horários que não coincidam com os dias e horários das sessões. Além da técnica de bater, precisam aprender a teoria correta das batidas de Umbanda aliadas às linhas de Umbanda. Ex. A batida para Oxóssi é muito diferente da batida para Iemanjá e Oxum – e assim por diante…

6- Durante as sessões, os atabaquistas precisam ficar atentos aos comandos de sessão dados pela Entidade Dirigente, que normalmente passa esses comandos para a Curimbeira, que, por sua vez, os repassa aos atabaquistas.

7- Não é permitido que o atabaquista abandone sua função de bater e vá para a linha de incorporação. Caso haja necessidade, o guia chefe, e só ele, tem autoridade para retirar um atabaquista de sua função e colocá-lo na linha de incorporação.

8- O médium que incorpora e também exerce a função de atabaquista precisa ter em mente que, em um terreiro de Umbanda, onde quer que ele esteja, ele deve ser útil, e avaliar onde ele será mais útil. Há casos em que o próprio guia chefe retira o atabaquista, diz que o tempo dele no atabaque acabou e agora irá precisar dele na linha de incorporação, e o coloca na linha – como ocorreu com Mariana, que nos ajudou muito nos atabaques, mas Seu Sete Flechas precisou dela em definitivo na linha de consulta. Mas, se um dia não houver ninguém no atabaque, como já aconteceu, ela se coloca à disposição para ajudar.

9- Não existem atabaquistas principais e auxiliares. Todos são importantes. É claro que existem os que têm mais experiência. Mas a humildade e a gentileza vêm em primeiro lugar. Se há um irmão ao lado aguardando para bater, não custa, e até proporciona descanso, deixá-lo bater um pouco. Muito feio é chegar “se achando” melhor do que o irmão, dizer para ele: “sai daí que eu bato melhor”… Não pode mesmo. Caso isso aconteça durante uma sessão, torçam para que Pablo não esteja na direção, rs.

10- É permitido que os atabaquistas do sexo masculino utilizem camiseta branca com meia manga e calça comprida branca (não é bermuda, nem calça enrolada); porém, com essa vestimenta (calça e camiseta), eles não podem, em hipótese alguma, ir para linha de incorporação. Mesmo que o atabaquista esteja de uniforme completo (guarda-pó), ele só pode ir para a incorporação só com ordem especial do guia chefe.

REGRA DE OURO: O TAMBOR ACOMPANHA O CANTO, NUNCA O CONTRÁRIO.

Recebam os nossos agradecimentos e saudações fraternais
Armando Fernandes

2017 Templo A Caminho da Paz