Armando Fernandes

É o terceiro e último filho do casal Armando e Helena Fernandes, nascido no dia 2 de junho de 1969, às 18:00 horas, na hora da Ave Maria, na Cidade do Rio de Janeiro.

Desde a gestação, levado por sua mãe, era abençoado pela Entidade Dirigente Pai Joaquim do Bonfim.

Sua mãe Helena havia perdido anteriormente um filho, e os médicos afirmavam que ela não mais poderia ser mãe, pois havia perdido parte do útero em aborto espontâneo tido após carregar um botijão de gás. Quando ficou grávida, voltou ao médico, que diagnosticou um mioma, recomendando uma cirurgia para retirá-lo. Mas Pai Joaquim afirmava: “Filha, este é o menino que você perdeu e está de volta”. Helena ponderava: “Mas, meu velho, não pode ser, os médicos dizem que eu não posso ter mais filhos.” O tempo foi passando, até que, em uma consulta, veio a confirmação médica. Dona Helena estava realmente grávida. Foi ao Velho; Pai Joaquim virou-se e falou: “Velho não disse que estava para vir o menino que você perdeu?” “Meu velho, não sei se será menino [naquela época não existia ultra-sonografia para averiguar o sexo do bebê], mas agora já tenho certeza de que estou grávida.” “Filha, é velho que está dizendo: Será um menino”. E foi….

O Nascimento – O menino previsto por Pai Joaquim foi recebido com grande alegria no seu meio familiar. Seu pai, Armando, estava radiante por ter enfim chegado o varão tão almejado, uma vez que já existiam duas filhas, irmãs do menino: Kátia e Tânia.

O menino Armando, que recebeu o nome de seu pai e de seu avô no batismo na Igreja Nossa Senhora do Mont Serrat, no bairro do Santo Cristo, no Rio de Janeiro, teve como padrinhos Antonio Miranda e Elza Lapoente. Seus pais, apesar de freqüentadores da Umbanda, acharam mais conveniente, em razão de pressões familiares, realizar o batismo na Igreja Católica, e não na Umbanda.

A infância do menino Armando Fernandes ocorreu toda ela dentro da Casa de Umbanda freqüentada por seus pais e pela avó paterna Celsa Fernandes. Lá, sempre chamou muita atenção o fato de o menino, sentado no banco da frente, assistir à sessão do princípio ao fim, atento, cantando e batendo palmas. Apesar de muito peralta, arteiro, levado, naqueles momentos não havia amiguinhos que o tirassem daquele lugar. Atento a tudo, muitas vezes era o responsável por momentos de descontração entre os presentes. Por exemplo, a sessão literalmente parava para que todos ouvissem o menino Armando cantar, o que fazia com que todos dessem boas gargalhadas. Uma única pessoa não gostava, cruzava os braços e reclamava. O dirigente da época não se importava; dizia sempre: deixem-no pegar a bengala e o chapéu do Pai Joaquim, deixem ele isso, deixem ele aquilo. Os doces da sessão de Ibêje, muitos chocolates, eram jogados em direção da assistência, mas os do menino Armando já vinham reservados nos bolsos do Dirigente, que os entregava pessoalmente e nas mãos do menino.

Naquela Instituição, ao tempo do Pai Joaquim do Bonfim, o menino Armando Fernandes assistiu a muitas cura, muita caridade, recebeu ensinamentos que ficaram gravados em seu coração para sempre, constituindo seu alicerce, sua base.

Aos 12 anos, por iniciativa própria, procurou a Igreja Católica para ingressar no Catecismo, o que fez na Igreja de São José e Nossa Senhora da Conceição do Engenho de Dentro, com o Padre Montenegro. Aos 14 anos, envergonhado em fazer a Primeira Comunhão com uma turma de crianças, foi aconselhado pelo Padre a ingressar no Curso de Crisma e realizar conjuntamente os dois importantes sacramentos da Igreja. Assim ele fez, ingressando também ao Grupo Jovem Tistu da Igreja. Os ensinamentos cristãos lhe foram muito importantes, sua vivência no catolicismo foi extremamente positiva para sua vida.

Porém, levado por sua avó Celsa a uma sessão de corrente com os Caboclos, encontrou-se de volta àquela mesma Casa, um dia dirigida por Pai Joaquim e agora dirigida por Pai Onofre (Guia da dirigente Léa Guedes – primeira e única dirigente direta do Jovem Armando Fernandes). Em 1985, sua primeira entidade na referida corrente começou a se manifestar. Aquela vibração, aquela sensação sem igual fez com que ele abandonasse de imediato o catolicismo, até mesmo pela expectativa de conhecer e obter respostas que não conseguia obter na igreja, onde o Padre invariavelmente lhe respondia: “Esta é a nossa fé”. Essa conduta, não admitindo e não dando resposta aos porquês indagados, levou Armando a escolher a Umbanda como sua Religião.

Ingressou na Corrente numa sessão de cachoeira realizada em Coroa Grande, a partir dali passou pelo desenvolvimento mediúnico em sessão. No dia 17 de junho de 1986, sua primeira entidade riscou e cantou seu ponto, obtendo a autorização da Dirigente para entrar nas consultas. Armando recebeu a toalha com o ponto riscado da amiga saudosa, filha da dirigente Lea, a irmã Glória Mara, que gentilmente bordou o ponto do Caboclo Boiadeiro de Imbaúba na Jurema. Essa Entidade esteve à frente do desenvolvimento do seu médium durante 10 anos, entregando o bastão em uma sessão de praia na Ilha de Paquetá, quando então assumiu o comando o Caboclo Sete Flechas das Almas.

Durante estes anos, o jovem Armando jamais se afastou dessa Instituição para ingressar em uma outra qualquer, sendo bastante atuante. Uma a uma foram chegando as entidades: Tranca-Ruas, Malandro Baiano, Francisquinho da Cachoeira e, por último, Pai Cipriano (pois vinha para confirmar a passagem bíblica: Os últimos serão os primeiros).
A seguir, Armando foi batizado na Lei de Umbanda pelas mãos de Pai Onofre do Cruzeiro, tendo como padrinhos Francisco Pereira e Telma Lapoente.

Por volta de 1993, já com todas as suas entidades firmadas e com pontos riscados, e envolvido com o atendimento direto ao público, foi realizado um fortalecimento do Anjo da Guarda de 24 horas, obrigação esta recebida pelas mãos da Dirigente Lea Guedes, na qual foi confirmada a coroa de Omulu com Oxum. Na época, foram feitas obrigações para todas as entidades que já vibravam na coroa do médium, bem como para os Orixás e Exus do seu caminho, tendo como madrinha de obrigação sua tia carnal Maria da Glória.

Nesse meio tempo, levado ao Centro Espírita São Francisco de Assis, começou a despertar para a doutrina e para as obras espiritualistas. Devorava os livros que lhe chegavam às mãos, porém, sem se afastar da Umbanda.
Em 1997, quando a Casa passou por uma reestruturação, Armando foi indicado para o cargo administrativo de Secretário da Instituição. Teve então a oportunidade de realizar um trabalho de suma importância à frente dessa diretoria, levando a Casa ao patamar que ela merecia (evidentemente, com a ajuda de todos), tendo em vista a sua história. Divulgando-a na Internet e através de Informativos Bimensais, participou ainda ativamente de várias novas implantações salutares.

Em 1999, foi marcado por grande acontecimento: a festa comemorativa dos 91 anos de fundação da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, quando teve o privilégio de conhecer as irmãs Zélia (já desencarnada) e Zilméa de Morais, amizade até hoje cultivada e ensinamentos jamais esquecidos.

Em 2000, a dirigente Lea Guedes pediu afastamento da Diretoria; seu substituto imediato, o irmão Pery, veio a falecer em fevereiro. Armando, apesar de não ter sido indicado, viu-se na obrigação de não deixar a Casa sem direção e, em março, assumiu extra-oficialmente o cargo de Dirigente, realizando em nove meses rituais que já não eram praticados na Instituição há muitos anos. Realizou batismo coletivo de 33 médiuns, Amaci, Cachoeira e Praia.

Em dezembro de 2000, após desentendimento com o Presidente da Instituição, resolveu levar seu trabalho apenas até ao Ritual de Fim do Ano, na praia da Barra da Tijuca. Foi esse o último ritual praticado naquela Casa, que tudo lhe ensinou. Não informou a nenhum médium sua decisão de se afastar.

No entanto, sua 1ª esposa esperava uma resposta da espiritualidade, que veio na primeira Sessão de Exu de 2001, quando sua entidade se despediu de todos, liberando a médium para também se afastar da Casa. No dia seguinte, a residência do casal Fernandes encheu-se de médiuns descontentes com a administração daquela Casa.

Dali, em 20 de janeiro de 2001, uma nova casa surgia na Umbanda: O Templo A Caminho da Paz. Armando, o Fundador da mesma, começou a trabalhar de imediato, conseguindo o abrigo para esta nova realidade no dia 1º de abril daquele ano. Nesse mesmo mês foram dadas obrigações para que ele pudesse assumir a direção espiritual. O trabalho foi inaugurado oficialmente pelas mãos de sua madrinha Zilméa Moraes da Cunha, em 23 de junho de 2001.

O Templo a Caminho da Paz hoje é uma realidade sólida, que tem uma diretoria atuante, com importantes serviços prestados na área da Assistência Social à comunidade carente do Bairro do Encantado, além dos atendimentos espirituais ininterruptos.

No campo pessoal, Armando Fernandes é Bacharel em Direito, teve escritório montado na Rua Álvaro Alvim. Tem um filho, Felippe Arruda Fernandes, do seu primeiro casamento e uma filha de seu segundo casamento, que recebeu o nome de sua mãe: Helena Fernandes, a querida Heleninha

2017 Templo A Caminho da Paz